terça-feira, 12 de janeiro de 2010
Governo coloca tarja preta e esconde nome de terroristas !!!
Projeto do governo acaba com sigilo para crimes contra direitos humanos
Lula procura tranquilizar militares e diz não haver revanchismo na iniciativa
Por Chico de Gois e Bernardo Mello Franco
Arquivos do regime serão publicados na internet
Na solenidade, foi assinada uma portaria que garante o anonimato a quem entregar arquivos sobre a ditadura militar que estejam nas mãos de particulares, como militares da reserva. Também foi lançado o portal Memórias Reveladas, do Arquivo Nacional, que publicará arquivos do regime na internet
(www.memoriasreveladas.arquivonacional.gov.br)
Lula declarou que o acesso à informação é essencial e que, quando deixar o governo, em 2011, se tiver feito algo de errado, a informação deve se tornar pública.(...)
(...) - Para o presidente, o direito à informação pública é um dos mais eficazesinstrumentos de combate ao arbítrio e à corrupção:
(...) - O projeto regulamenta, pela primeira vez, o direito de acesso a informações públicas. Os órgãos dos três poderes terão 20 dias, prorrogáveis por mais dez, para prestar esclarecimentos pedidos por qualquer cidadão. Se o prazo for descumprido, o caso poderá ser levado à Controladoria Geral da União (CGU), e o servidor ficará sujeito a penas que vão da suspensão à exoneração do cargo.(...) "
O Globo.com.br/Pais
Memórias ocultadas
Comentário da editoria do site www.averdadesufocada.com
Já está na internet o que foi prometido pelo presidente Lula: acesso à informação.
No final vejam como são recebidas as informações solicitadas.
A exemplo de São Paulo, a Guanabara desenvolvia esforços, para estabelecer sua imprensa própria. No dia 22 de julho, foi realizada uma ação contra a empresa RUF, .na Rua Debret, com roubo de uma copiadora eletrônica de matrizes, um mimeógrafo e várias máquinas de escrever. Uma semana depois, no dia 29 de julho, os recursos financeiros para o empreendimento foram conseguidos através do assalto ao Hospital da Ordem Terceira da Providência, que rendeu cento e cinquenta e sete mil cruzeiros.
Dias antes da ação, chegara à Guanabara, vinda de São Paulo, a militante Sônia Hipólito, para montar o Setor de Documentação da Coordenação Regional/GB. Sônia e Antonio Carlos Nogueira Cabral alugaram um "aparelho" onde instalaram o esquema de fornecimento de documentação. O material necessário foi conseguido através dos assaltos ao cartório do Registro Civil José Alves Linhares, na Rua Joaquim Méier, com o roubo de duas mil certidões, carimbos e máquinas, no dia 9 de agosto, e aos 5º e18º Postos Eleitorais, na Rua Miguel de Lemos, com o roubo de mil e quinhentos titulos eleitorais, em 17 de agosto.
Ainda em agosto, a CR/GB conseguia publicar e difundir o primeiro número de seu jornal "Ação". Dentro da mesma orientação do "Venceremos" e de "O Guerrilheiro", "Ação" fazia propaganda das atividades criminosas da organização, endeusando os militantes da Ação Libertadora Nacional - ALN -, pela sua coragem e ousadia.
As ações da CR/GB passaram a ser orientadas para a propaganda armada e para a intimidação. O Grupo Tático Armado - GTA-, com a experiência adquirida nas ações bem sucedidas, decidiu eleger viaturas policiais como fonte de suprimentos de armamento e munição.
O GTA da CR/GB era dirigido por Flávio Augusto Neves Leão de Sales e articulava-se em dois grupos. O primeiro grupo, chefiado pelo próprio Flávio, era constituído por Aurora Maria do Nascimento Furtado, Isis Dias de Oliveira e Carlos Alberto Maciel Cardoso. O segundo grupo, chefiado por Antonio Carlos Nogueira Cabral, era formado por Sònia Hipólito, Paulo César Botelho Massa e Merival de Araújo.
Com o fito de desmoralizar as forças policiais, as viaturas eram incendiadas. Assim, ocorreram os assaltos às radiopatrulhas :na Avenida Prado Junior, em 31 de julho, na Praça. Avaí, em 19 de novembro; e na Rua Dias da Cruz, em 31 de outubro. Na Praça Avaí os subversivos simularam um acidente de trânsito, a poucos metros do local da viatura , e quando os patrulheiros foram verificar o ocorrido, foram rendidos e algemados a um poste. Em seguida a viatura foi incendiada e o local panfletado .
Nesse meio tempo , foi feito uma ação de sucesso, contra o Hospital da Ordem Terceira da Penitência. O levantamento foi real izado por intermédio de Carlos AIberto Maciel Cardoso, ex-marinheiro, cassado em 1964. Ele aliciara para a organização sua amásia Hermelinda de Jesus Melo e Silva, funcionária do Hospital da Ordem Terceira. Hermelinda de Jesus realizou o levantamento da data do pagamento dos funcionários e o assalto foi um sucesso.
O jornal 0 estado de São Paulo, de 15/06/72, ao anunciar a morte de três terroristas, relaciona, algumas ações de Yuri Xavier Pereira, um dos mortos, como um dos autores do assalto ao Hospital da Ordem Terceira da Penitência.
Animados com o resultado do assalto ao Hospital , a CR/GB planejou o assalto à Casa de Saúde Dr. Eiras em Botafogo . O levantamento do dia do pagamento foi feito por Maria da Conceição Nascimento, servente do estabelecimento e namorada do irmão de Carlos Alberto, o fuzileiro navaI Paulo Sérgio Fonseca Cardoso. Com as informações de Maria da Conceição Nascimento, foi definido o dia 2 de setembro de 1971 como a data da ação. José Milton Barbosa, Antonio Sérgio de Matos e Hélber José Gomes Goulart foram de São Paulo para o Rio de Janeiro para reforçar o GTA.
No dia do pagamento, o GTA, comandado por Flávio Augusto Neves Leão de Sales e contando com a participação de Hélcio Pereira Fortes, Antonio Carlos Nogueira Cabral, Sõnia Hipólito, Aurora Maria do Nascimento Furtado, Isis Dias de Oliveira e Paulo César Botelho Massa, além do reforço paulista, entrou em ação com a chegada do carro pagador na casa de saúde.
Surpreendida, a guarda de segurança do nosocômio reagiu ao assalto. Ao final de um intenso tiroteio, o rol das vítimas fatais da subversão estava acrescido de Cardênio Jayme Dolce, agente federal aposentado e chefe do serviço de segurança e dos seus auxiliares Silvano Amâncio dos Santos e Demerval Ferreira dos Santos, enquanto o médico Dr. Marilton Luiz dos Santos Morais e o enfermeiro Almir Rodrigues de Morais saíam feridos. Os assaltantes, além de oitenta mil cruzeiros levaram as armas dos guardas abatidos.
O jornal "Ação" nº 2, de .setembro/outubro/1971, fazendo apologia da chacina, da Casa Dr. Eiras, assim justificava os assassinatos: "A imprensa .da ditadura procurou explorar politicamente a morte dos guardas, apresentando-os como vítimas inocentes. No entanto, é preciso ficar bem claro que, conscientemente ou inconscientemente, naquele momento agiram como defensores dos exploradores e de seu governo, atacando os guerrilheiros. Por isso não foram poupados e nem o serão aqueles que tomarem a mesma atitude".
Carlos Alberto Maciel Cardoso e sua companheira Hermelinda de Jesus Melo e Silva foram presos dia 9 de outubro pela Polícia Federal, por suspeita de participação no assalto ao Hospital da Ordem Terceira da Penitência. Admitiram algumas coisas, procurando ganhar a confiança de seus inquisidores. Vislumbrando a possibilidade de ser solto, Carlos Alberto propôs entregar os militantes da organização. Solto no dia 10, Carlos Alberto entregou um "ponto frio", com um dirigente de CR/GB, conseguindo fugir do controle dos policiais.
Retornando ao seio da organização, narrou a sua astúcia para conseguir a liberdade. Não convenceu. Foi julgado por um "tribunal revolucionário", composto da direção da CR/GB, naquela altura constituÍda por Hélcio Pereira Fortes, Flávio Augusto Neves Leão de Sales e Antonio Carlos Nogueira Cabral e condenado à morte.
No dia 13 de novembro os juizes, transvestidos de carrascos, tiveram um encontro com Carlos Alberto e informaram-no do seu destino. Apavorado, Carlos Alberto saiu correndo, sendo perseguido por Flávio Augusto e Antonio Carlos, disparando suas armas.
Ferido, ainda tentou abrigo no interior de uma casa da Rua Bernardo, no Encantado, onde seus algozes terminaram o serviço. Hélcio Pereira Fortes recolheu os companheiros, de carro, após concluída a missão de " justiçamento".
Os dirigentes da CR/GB não se preocuparam com Carlos Alberto, apesar dos "relevantes serviços" prestados em levantamentos que proporcionaram ações de vulto para a organização. Os argumentos de traição não se confirmaram, pois a organização nada sofreu com a prisâo de Carlos Alberto. Apenas as suspeitas de três elementos, constituidos em "tribunal revolucionário", foram suficientes para determinar a sua morte ....
Em janeiro de 2005, uma certidão , fornecida pela Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) , atestava que Carlos Alberto nunca passou qualquer informação ao Cenimar ( O Globo- 31/01/2005- página 3)O "tribunal revolucionário" errou. Carlos Alberto fora "justiçado" sem ter traído os terroristas.
Fonte:Projeto ORVIL
EDITORIAL DE O ESTADO DE S.PAULO
Lula e os estragos do decreto
O presidente Lula voltou a Brasília, depois das férias, com o objetivo imediato de acabar com a briga entre ministros, pôr ordem na casa e cuidar dos estragos causados pelo infeliz decreto sobre o Programa Nacional de Direitos Humanos, assinado por ele mesmo em 21 de dezembro.
Pelo menos um erro o presidente reconheceu: não se deveria ter incluído no texto a proposta de revogação da Lei da Anistia, de 1979. Melhor deixar o assunto para o Judiciário, porque a lei já foi contestada pela Ordem dos Advogados do Brasil e o Supremo Tribunal Federal deverá julgar a ação neste ano. Mas o erro foi cometido em várias etapas.
A primeira contribuição foi do secretário Nacional de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, responsável pelo texto original do decreto. A segunda foi da chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Era sua obrigação desarmar a bomba e prevenir o presidente. A terceira, e conclusiva, foi do próprio Lula, ao assinar o papel.
Atribuem-lhe a declaração de que assinou sem ler. Pode ser verdade. Mas pode ser também que o tenha lido sem pensar nas consequências. A segunda hipótese parece improvável, porque o decreto tem 92 páginas e o presidente, como se sabe, é avesso à leitura. Mas isso não o isentaria de responsabilidade.
O fato é que ele escorregou mais de uma vez. Um de seus enganos foi confiar na atenção e na qualidade do julgamento da ministra-chefe da Casa Civil, sua candidata à Presidência. Se eleita, ela talvez tenha mais sorte que Lula na escolha da figura mais importante do gabinete ? alguém capaz de ler e de avaliar os documentos entregues para o chefe assinar.
Mas o presidente ainda pode evitar maiores danos. Se eliminar o revanchismo embutido no decreto, poderá acomodar a situação com os comandantes militares e livrar o ministro da Defesa, Nelson Jobim, de uma situação muito desconfortável. Com isso, talvez tenha de aceitar a demissão de seu secretário nacional de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, mas isso será um bônus, não um custo.
Sobrariam, no entanto, outros problemas. O revanchismo e a tentativa de revogação da Lei da Anistia são apenas uma das várias fontes de conflito reunidas no decreto. Na sexta-feira, o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, criticou o texto assinado por Lula. O documento, segundo ele, é preconceituoso em relação à agricultura de mercado, principal suporte do superávit comercial e da estabilidade de preços.
Na sua opinião, as mudanças legais propostas pelo decreto deverão aumentar "a insegurança jurídica no campo". Quanto a isso, não podem pairar dúvidas. O decreto defende, entre outras aberrações, um exercício de mediação entre invasores e vítimas de invasão de propriedades, antes da decretação, pelo juiz, da reintegração de posse. Invasão ainda é crime e invasores não podem ter o mesmo status legal de suas vítimas, mas o autor do texto parece desconhecer ou desprezar esse e outros detalhes. O mesmo decreto propõe subordinar ao assembleísmo de organizações "populares" as decisões de aumento de plantio de várias culturas de grande importância comercial para o País.
O secretário nacional de Direitos Humanos acusou seus críticos de desejarem transformar o plano em "monstrengo político único no planeta". Pura injustiça. O decreto já nasceu um monstrengo e seu autor é ele mesmo. Mas não é "único no planeta". Pertence a uma velha e grande família. Entre seus antepassados incluem-se as leis criadas pelos governos mais totalitários e mais brutais do século 20.
Entre os parentes contemporâneos é fácil apontar, por exemplo, as aberrações do regime instaurado pelo venezuelano Hugo Chávez e outras produzidas ou meramente ensaiadas por vários chefes populistas latino-americanos. As ameaças à liberdade de expressão e de informação, em nome de direitos humanos, são típicas dessa família de concepções políticas, assim como a intenção de converter o ensino da História em ferramenta de controle ideológico. Portanto, monstrengo, sim, mas não único em sua espécie.
Para cuidar dos danos causados pelo decreto, o presidente Lula terá de entender a extensão do problema. Não basta cuidar da polêmica entre os chefes militares e o secretário Paulo Vannuchi, nem atenuar aqui e ali as ameaças ao agronegócio. O decreto é totalmente ruim, porque é de natureza ditatorial. É esse o problema real, e o presidente sabe disso mesmo que não o tenha lido.
AFINAL, QUANTAS DIVISÕES TEM A IMPRENSA? terça-feira, 12 de janeiro de 2010 | 4:59
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Já é um clichê citar a indagação retórica que o ditador soviético Stálin teria feito a Roosevelt e Churchill quando os três decidiam que cara teria o mundo no pós-guerra, e alguém lembrou de restrições que Pio 12 fazia a isso ou àquilo. O bigodudo homicida não teve dúvida: “Mas quantas divisões [militares] tem o papa?” Era a sua maneira de ser prático, entenderam? Para Stálin, a regra do humanitismo de Quincas Borba, personagem de Machado de Assis, deveria ser levada ao pé da letra: “Ao vencedor, as batatas” — no caso, os países. Mas quase me desvio. Volto ao ponto. A exemplo de Stálin, Lula também acredita que quem tem divisões pode negociar; quem não tem deve suportar o que vier. E é isso o que me leva a indagar: “Mas quantas divisões tem a imprensa?” Vamos com calma.
Lula aceita mudar o texto do famigerado Programa Nacional de Direitos Humanos III. Como viram, leitores, interceptamos o urubu em pleno vôo, não é mesmo? Topa, segundo se apurou, duas alterações: amenizar a referência ao aborto e substituir a palavra “repressão” por “conflitos”. Assim, a tal Comissão da Verdade teria de investigar “conflitos” havidos durante o regime militar — o que abriria a possibilidade de apurar também os crimes cometidos por terroristas de esquerda. Como entender essa coisa?
A crise com os militares, que muita gente tentou negar, é, como escrevi aqui no dia 31, muito séria. O conteúdo obviamente persecutório e revisionista do documento conta. Mas conta também a trapaça. O texto tinha sido negociado, e o acordo não foi cumprido. Daí que, a ficar o texto como está, os comandantes militares não têm como permanecer no cargo. É claro que seriam substituídos por outros, mas a unidade militar estaria inexoravelmente abalada, e Lula não precisa de uma crise nas Forças Armadas — um dos entes de maior prestígio junto aos brasileiros — no último ano de mandato.
A questão do aborto nada tem a ver com a posição da Igreja Católica, como querem alguns tontos. Há até delirantes senis que resolveram acusar uma grande conspiração do Opus Dei — essa gente deve andar lendo o Código Da Vinci… — para mudar essa parte do programa. Embora Lula tenha sido avisado, evidentemente, dos aspectos mais problemáticos do documento, é quase certo que não o tenha lido inteiro. Ele já afirmou que fica com sono quando tem de encarar esse negócio de uma palavrinha na frente da outra. Dá pau no seu cérebro. A fama de “governo aborteiro” em ano eleitoral não é conveniente. A maioria da população brasileira é contrária à descriminação do aborto. E só! Lula não quer mudar mais nada.
Se estivesse atendendo aos “conservadores católicos”, como querem alguns trouxas, aceitaria suprimir também o trecho que defende o banimento dos símbolos religiosos (leia-se: crucifixo) das repartições federais. É claro que se trata de uma medida autoritária e que afronta a história do Brasil. Mas, com isso, Lula concorda. Quer que a Igreja se dane: “Quantas divisões tem o papa?” Ele só teme as divisões militares e as divisões eleitorais.
Agora a imprensa
No que diz respeito à imprensa, Lula não quer mudar nada. Foi convencido por Franklin Martins e sua turma de que o setor não tem mais a menor importância. Não tem divisões. Às vezes, a gente é tentado a achar que eles estão certos, não é mesmo? Mas é preciso lembrar que nem todos estão rendidos. Uns têm armas, outros têm votos. O que tem a imprensa além de uma penca de adesistas infiltrados, empenhados em vender as verdades eternas do petismo? É o que vamos ver.
Aqui e ali já se nota a obra dos áulicos, empenhados, calculem, em atribuir ao governo FHC aspectos nefastos do programa. Já desmoralizei essa tolice no domingo. Quem é capaz de ler o que está escrito sabe que se trata de uma mentira grotesca. Essa porosidade do jornalismo à versão oficial faz com que Lula, Franklin e caterva considerem que a imprensa está no papo: não tem divisões!!!
O presidente também não quer mudar o trecho que trata das invasões de terras — rurais e urbanas, diga-se. Embora o país dependa vitalmente do agronegócio, sabe que a rede de difamação dos “ruralistas” é poderosa. É bem provável que um projeto de lei que buscasse dar dimensão prática ao que está no programa fosse considerado inconstitucional. De todo modo, busca-se preservar no texto aqueles absurdos para contemplar a reivindicação das esquerdas.
A Confederação Nacional da Agricultura não tem armas — ou tem uma só, que é política: a valente senadora Kátia Abreu (DEM-TO). Que a entidade não esmoreça e deixe claro à opinião pública que, entre a comida barata que chega à mesa dos brasileiros e a baderna, o Planalto escolheu a baderna. Se Lula teme que seu governo fique com a fama de aborteiro, é preciso que tema também a reputação, justificada, de aliado do MST e de seus crimes continuados. A luta está apenas no começo.
No fim das contas, a área de fato mais frágil é mesmo a imprensa. Não que o governo tenha tanto poder assim. É que em nenhum outro setor a infiltração do partido foi tão eficaz e tão devastadora. A liberdade de expressão dorme com o inimigo. Em alguns casos, até lhe entrega a edição.
O QUE QUEREM AS FADAS SININHO? terça-feira, 12 de janeiro de 2010 | 4:55
Afinal, o que querem as fadas Sininho, poderia perguntar o Diogo, que insistem na tese de que a versão 3.0 do Programa Nacional de Direitos Humanos foi inspirada na versão 2.0, ainda do governo FHC? Ora, levar a bomba para explodir longe da pirata da perna de pau eleitoral: Dilma Rousseff. A tarefa lhes foi passada pessoalmente por Franklin Martins na forma de uma sugestão…
Lembro, mais uma vez, que o decreto, com o seu anexo — e o problema estava no anexo, que este escriba decidiu ler — passou pela Casa Civil. A menos que a Casa Civil alegue não ter cumprido a sua tarefa, não é mesmo? Já provei a farsa aqui no domingo no texto O GOLPE DOS DIREITOS HUMANOS - DESCONSTRUINDO OUTRA MENTIRA.
As fadas Sininho foram alertadas para a questão óbvia: a candidata Dilma Rousseff terá de prestar contas sobre os “temas polêmicos” que estão no programa:
- “Candidata, a senhora também defende a descriminação do aborto?”
- “Candidata, a senhora também acha que invasor tem de ficar na terra invadida?
- “Candidata, a senhora quer tirar os crucifixos das paredes?”
- “Candidata, a senhora também quer a censura à imprensa?”
- “Candidata, a senhora também acha que algumas pessoas têm o direito de matar?”
Um sujeito esperto, a esperteza petista, como o líder do PT na Câmara, Candido Vacarezza (SP), já percebeu o potencial de desgaste da estrovenga e anuncia aos quatro ventos que a coisa não é para valer, que as prioridades do governo são outras etc. Pois é… Assim é porque a repercussão para o petismo foi a pior possível. O que Dilma diria? Que ela, como o presidente, também não sabia de nada?
MENTIRA! A versão 2.0 do plano não era lá grande coisa, é fato. Afirmar, no entanto, que ela é a mãe da versão 3.0 corresponde a dizer que a demagogia é igual à ditadura.
Aí as fadas Siminho ficam voando nervosas.
A máscara benigna que oculta a face do demônio terça-feira, 12 de janeiro de 2010 | 4:53
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Na Folha de hoje, há um excelente artigo da senadora Kátia Abreu (DEM-TO) sobre o tal Programa Nacional de Direitos Humanos. Segue um trecho:
*
HÁ MUITAS maneiras de impedir que o cidadão recorra à Justiça para defender seus direitos. Uma delas, que os brasileiros conhecem bem, foi ensinada aos militares pelo jurista Chico Campos em abril de 1964: consiste em, pura e simplesmente, decretar que é vedada à Justiça apreciar os atos em que o governo ditatorial alegar estar exercendo poderes revolucionários. Agora, estamos diante de uma nova conspiração. Trata-se da ameaça explícita do governo de criar versão própria da Declaração Universal dos Direitos Humanos, da ONU, de 1948.
Um pretexto para estabelecer atalhos e criar entraves ao reconhecimento até de direitos humanos consagrados, como a propriedade e a liberdade de imprensa, que, de princípios indiscutíveis, passam a depender de instâncias administrativas ou sindicais, antes que a Justiça possa reconhecê-los ou preservá-los. A propriedade privada, um dos 17 artigos da primeira Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, da Revolução Francesa, de 1789, perderá a proteção da Justiça brasileira se persistir a versão do decreto.
Outra medida inédita prevê um ranking, dominado por grupos sindicais e administrativos, para avaliar se os órgãos de comunicação podem receber propaganda ou patrocínios, numa confissão tácita de que a distribuição de verbas publicitárias oficiais não é feita por critérios técnicos em que se avaliam a eficácia dos veículos.
Assim, não avançamos. Democracia é privilégio de sociedades desenvolvidas que compreendem o valor da tolerância, a importância dos direitos humanos e a necessidade de respeitar o princípio da igualdade de todos os cidadãos perante a lei.
E, no Brasil, justiça, democracia e direitos humanos são valores consensuais. Tanto que, sob o comando do ex-ministro da Justiça José Gregori, nosso país conquistou prêmio internacional, concedido pela ONU, por ter feito, de forma competente, a implantação, em 1996, de um consistente programa nacional de direitos humanos. Em 2002, o segundo programa deu continuidade aos avanços, reconhecidos internacionalmente.
No novo Programa Nacional dos Direitos Humanos, PNDH-3, o desenho é outro: saem a democracia, a justiça, a tolerância e o consenso e entra a velha visão esquerdista e ideológica que a humanidade enterrou sem lágrimas nas últimas décadas, depois de muito sofrimento e muita miséria.
Direitos humanos, na forma aprovada pelo decreto 7.037, parece ser apenas a máscara benigna e traiçoeira que oculta a face terrível dos demônios que grupos radicais e sectários se recusam a sepultar. Aqui
O TIRANO MAIS PERTO DE SER PENDURADO PELOS PÉS terça-feira, 12 de janeiro de 2010 | 4:51
Reinaldo Azevedo conhecem o meu vaticínio para Hugo Chávez, repetido pela última vez aqui no dia 16 de fevereiro do ano passado, quando ele “arrancou” o direito à reeleição ilimitada: “Um dia o bandoleiro ainda se encontrará com o seu destino. Nas mãos do povo, que tanto celebrou, talvez seja pendurado pelos pés em praça pública, como um Benito Mussolini ou um Ceaucescu da América Latina. Mas os venezuelanos vão penar bastante até lá.”
Seu “modelo” começa a ruir. A Venezuela se tornou uma economia de uma nota só: petróleo. Dada a desvalorização da moeda local, a receita em dólares das exportações será convertida numa quantidade maior de bolívares, e se especula que ele possa usar o dinheiro para conceder reajustes ao funcionalismo e aplicar mais em assistencialismo. Mas também é certo que a inflação vai aumentar.
Ontem, imensas filas se formavam para estocar alimentos. Os venezuelanos procuravam se precaver de uma óbvia onda de aumento de preços. E Chávez fez o que sabe: chamou os militares e mandou fechar estabelecimentos comerciais. Ameaça seus proprietários com a expropriação.
Todos conhecemos a receita do bolivarianismo para assaltar instituições. O que se comenta pouco é um fato óbvio: o chavismo lembra, ele sim, cada vez mais, as antigas ditaduras latino-americanas. Ainda que o modelo compreenda a realização de eleições, o fato é que o tirano recorre crescentemente aos soldados para manter a ordem. As milícias bolivarianas já não dão conta do recado.
O maluco levará adiante o seu modelo sem saída até quando a cúpula militar continuar servil a seus desígnios. Essa fidelidade requer um relativo sucesso do governo. Ocorre que o tempo passa, a redenção dos oprimidos não vem, e a economia do país só piora. Ele tem, sem dúvida, o encontro marcado com a praça pública, que verá, então, de ponta-cabeça. Mas, infelizmente, os venezuelanos sofrerão bastante até lá.
É o preço que os países e as populações pagam quando caem na lábia de embusteiros. E boa parte da América Latina parece ter especial predileção para se entregar a seus algozes.
